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NEM TODA PRÁCTICA SONORA E NĀDA YOGA

Para que uma prática, disciplina ou caminho de desenvolvimento humano seja considerado Nāda Yoga (Yoga a través do som), deve cumprir o duplo requisito de ser “Yoga”, por um lado, e usar o “som” como meio principal em sua aplicação concreta, por outro.

Em um artigo anterior titulado Luz sobre o Nāda Yoga, descrevi em detalhes o que queremos dizer com a palavra Yoga e a palavra Som, então eu vou me limitar aqui apenas a atualizar essa idéia sucintamente e continuar. A partir de nossa abordagem, “Som” não se refere exclusivamente às vibrações que percebemos com o senso de audição, nem mesmo às que não podemos ouvir porque estão fora do nosso alcance auditivo, o que podemos chamar de “Som físico, denso ou concreto” dentro do espectro vibracional.

Uma compreensão completa do termo “Nāda” também deve incluir essa seção do espectro vibratório que chamamos de “Som Sutil” (vibrações que surgiram no plano manifestado, e ainda não se concretizaram),  e a seção do espectro vibratório que chamamos de “Som Causal “, literalmente a causa ou origem dos dois níveis anteriores.

O termo Yoga nos fala implicitamente de duas coisas ao mesmo tempo. Do meio (ou meios) e do fim. Da prática e do objetivo, do caminho e do objetivo. Quando nos referimos ao Yoga, apontamos para um conjunto de práticas que podem ser muito variadas, mas também falamos sobre o porquê, e isso é o que, basicamente, define se esse conjunto de técnicas será Yoga ou uma mistura de exercícios com uma maquiagem espiritual.

Além dos objetivos intermediários que podem existir, a conquista final no Yoga é a Libertação. Não se liberar de alguma coisa especificamente, mas de Libertação. E apenas para deixá-lo levantado para um próximo artigo, o paradoxo fundamental aqui é que esta Libertação não pode ser alcançada com esforço, com ações, com a vontade. Então como? Já veremos.

Voltando ao tópico deste artigo, vou agora listar os requisitos que uma prática ou disciplina deve cumprir inexoravelmente para ser considerada Nāda Yoga. Neste ponto, alguém talvez já esteja pensando em algo do estilo de quem diz o que é Nāda Yoga ou o que não é Nāda Yoga ? Quem tem a verdade sobre o assunto?

Nestas questões, não é importante estar certo, mas entender que quando falta um requisito, a disciplina deixa de ser Yoga e surgem muitos riscos ja que a beleza e a profundidade da prática podem ser usadas para reforçar o obstáculo que nos impede de alcançar o objetivo final do Yoga e não para transcendê-lo, o que chamamos de materialismo espiritual.

Depois de vários anos de reflexão sobre o assunto, cheguei à conclusão de que existem três requisitos a cumprir:

1.INTEGRALIDADE: a abordagem da prática e sua aplicação devem ser abrangentes, isto é, completas. Isso se refere ao fato de que cada grupo pode ter suas preferências em relação aos exercícios e técnicas, mas a disciplina deve contemplar todas as possibilidades de trabalho. Ou seja, não pode haver limitação para usar essa ou aquela técnica quando necessário. A título de esclarecimento, as prescrições pessoais que o professor faz para o seu discípulo durante o período de instrução não entram aqui. Então, este requisito é totalmente válido depois que o aluno completou seu treinamento na disciplina e tem uma vasta experiência nele. Sem este requisito, não haveria Yoga, e sem Yoga não há Yoga do Som.

2. AUTO-CONHECIMENTO: além do conjunto de exercícios que são realizados, o objetivo final da disciplina deve ser o conhecimento de si mesmo ou Liberação, que neste contexto são sinônimos. Isso significa que os objetivos de curto, médio e longo prazo em Yoga não devem ser confundidos com o objetivo final. Além disso, todos esses objetivos menores devem estar alinhados com o objetivo principal. Se isso não acontecesse, não haveria Yoga e menos Yoga do Som, uma vez que a prática seria transformada em algum tipo de atividade cujo objetivo seria esgotado na harmonização psicofísica transitória do indivíduo, mas faltaria o objetivo principal ao qual esta orientado o Yoga.

3. ANONIMATO: todos os tipos de Yoga têm uma origem difícil de determinar com certeza. Por esta razão, muitas vezes atribuem sua invenção ou revelação a Deuses, Deidades ou Rishis (sábios), em parte para evitar que alguém se aproprie e crie algo que não seja. Yoga e Nāda Yoga, não podem ser criações de ninguém, por isso não admitem direitos de autor. Eles são universais e de propriedade da humanidade. O que pode acontecer é que existem combinações especiais desenvolvidas para certos grupos de pessoas, o que é perfeitamente válido. Embora na maioria desses casos, a pessoa que desenvolveu essa combinação se confunde e tende a desenvolver um pensamento superior por ter criado esse método, esquecendo que todos os elementos que ele usa para fazer essa combinação lhe foram dados de alguma forma: o conhecimento da técnicas, sua mente para fazê-lo e a criatividade. Portanto, qualquer disciplina que seja apresentada como um “método pessoal” estará longe de ser Yoga.

Podemos avaliar aleatoriamente qualquer prática de som e verificar que em muitos casos falham em qualquer um dos requisitos, e isso não é caprichoso. Falhar aqui é fugir do Yoga. É por isso que o assunto é tão delicado, embora seja difícil para nós assumi-lo. Nós temos muitas idéias, sonhos, ideais, teorias, mas pouco Yoga em nosso interior. É melhor ser mais sincero, afirmar nossos pés na Terra com o que temos e caminhar firmemente em direção ao desenvolvimento humano que nos levará a despertar as capacidades adormecidas e a se tornar verdadeiros seres humanos … Daqueles que hoje contamos com os dedos de uma mão.

Nādayogācārya Marcelo de Aquino Vicente
Diretor de Nāda Brahman Internacional
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